Para que o Ananás dos Açores chegue à sua mesa, com o seu aroma e paladar sublimes, tem de passar por um longo e trabalhoso processo de cultivo, com duração de cerca de 2 anos, composto por um conjunto de técnicas tradicionais e maneios culturais que asseguram a sua inigualável qualidade.
Os principais maneios culturais que fazem parte deste processo são os seguintes:


A Caiação
De forma a evitar a queimadura das folhas do ananás pela luz direta do sol, os vidros das tradicionais estufas são caiados com leite de cal. Além disso, é também indispensável para controlar a temperatura e a luminosidade dentro da estufa.
Esta aplicação de cal, que é feita com o auxílio de escovas e girões, é mais frequente na primavera e no verão, quando a incidência de luz solar é maior. No entanto, esta técnica apresenta algumas dificuldades, uma vez que na ilha de São Miguel o clima é muito instável, com uma constante alternância entre sol e chuva, dando mesmo fama à expressão da existência de quatro estações num só dia.



As Regas
O Ananás dos Açores é um fruto que requer um solo devidamente humedecido.
Nos meses quentes de Verão as estufas têm de ser regadas semanalmente, e no Inverno quinzenalmente.
De forma a tornar todo o processo de produção ainda mais sustentável, as estufas estão preparadas para a captação de água da chuva que é armazenada em tanques interiores e exteriores para que, posteriormente, possa ser utilizada na rega do Ananás dos Açores.


A Capação da Coroa
A capação da coroa é uma técnica que visa a supressão do meristema apical central livre da coroa do Ananás dos Açores.
Quando a coroa do Ananás dos Açores atinge aproximadamente 1/3 do tamanho final do fruto, cerca de dois meses após o aparecimento a flor, o estufeiro procede à capação da coroa. Esta técnica, efetuada com a ajuda de uma espátula de madeira, tem como objetivo suprimir o meristema apical central livre da coroa, permitindo assim que a planta concentre toda a sua energia no crescimento da coroa em detrimento do da coroa.
Esta técnica, além de favorecer a qualidade do Ananás dos Açores, também altera a aparência final do fruto, fazendo com que a sua coroa seja mais pequena do que a de todos os outros ananases no mundo.


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Os Fumos
Esta prática de cultivo tradicional, aplicada cerca de 5 a 7 meses desde a plantação definitiva, consiste em colocar, ao longo da estufa, latas metálicas com diversos materiais vegetais, como aparas de madeira, folhas de bananeira, palha de feijão, ervas secas e ramada de criptoméria japónica para queimar.
A queima destes materiais produza elevadas quantidades de fumo no interior da estufa, fumo este que contém etileno, a hormona responsável pela floração, este processo de aplicação dos “fumos”. Descoberta por acidente no ano de 1872, esta técnica visa induzir a floração simultânea de todas as plantas da estufa, garantindo assim uma colheita homogénea e planeada.
A Mondação
Por último, mas não menos importante, necessário, ao longo de todo o processo, retirar as infestantes, como é o caso das ervas daninhas, de modo a impedir que estas prejudiquem o bom desenvolvimento do Ananás dos Açores. Este processo, que é feito de forma manual pelos estufeiros, tem o nome de “mondação”.
Estas são algumas das técnicas e maneios que tornam o processo de produção do Ananás dos Açores único no mundo, resultando num fruto com características ímpares.
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